Arquivo da categoria ‘Prêmios e Destaques’
Cesar Cielo volta a fazer história com novo recorde mundial
Velocista quebra nesta sexta-feira a marca dos 50 m livre, com 20s91; o tempo anterior era de 20s94, do francês Fred Bousque
São Paulo – Campeão olímpico e mundial dos 50 metros livre, Cesar Cielo é, desde esta sexta-feira, também o recordista mundial da distância. Depois de estabelecer, na véspera, a segunda melhor marca da história – 21s02 – no Campeonato Brasileiro Sênior, o velocista voltou à piscina para a disputa do Open de Natação, também no Esporte Clube Pinheiros e bateu o recorde mundial, com 20s91. A marca anterior, 20s94, pertencia ao francês Fred Bousquet desde abril deste ano. Agora, Cielo é detentor de dois recordes mundiais: o dos 50 m livre e o dos 100 m livre (46s91), conquistado no Mundial de Roma, em 2009, e termina o ano como o único nadador da história a ser campeão e recordista mundial das duas distâncias no mesmo ano.
A façanha de Cielo não deve ser superada tão cedo. A partir de 2010, o uso de maiôs tecnológicos ficará proibido pela Federação Internacional de Natação (Fina) e a nova marca mundial ainda foi obtida com o maiô X-Glide, da Arena. Na prova desta sexta-feira, Nicholas dos Santos ficou com a medalha de prata (21s80) e Bruno Fratus, com o bronze (21s81). Depois de festejar o recorde, Cielo voltou à piscina e ajudou a equipe do Pinheiros (com André Daudt, Fernando Silva e Gabriel Mangabeira) a conquistar o ouro no Open no revezamento 4 x 100 m livre, com o tempo de 3min16s30. Cielo abriu a prova, com o tempo de 47s29
“Esse recorde estava engasgado”, disse Cielo. “Eu estava batendo na trave toda hora. Queria o recorde dos 50 metros desde a Olimpíada de Pequim.” O velocista contou que acordou às 3h30 e não conseguiu mais dormir. “Às 5 horas, ainda estava na frente do computador. Tomei um energético, estava com medo de ficar sonolento. É difícil controlar a ansiedade.” Mesmo assim, o nadador diz que não se cobra em nenhum evento. “A pressão que me coloco é psicológica, em cima do meu objetivo. Aqui, o meu objetivo era o recorde. Quando consegui, foi um alívio. Comemoro como se fosse uma medalha olímpica.”
Previsões
Alberto Silva, o Albertinho, técnico de Cesar Cielo no Brasil, assistiu da arquibancada à quebra do recorde e vibrou no meio do público com o feito histórico. Emocionado, com os olhos marejados, só então tirou do bolso o papelzinho em que Cielo havia escrito, na véspera, o tempo que pretendia fazer nos 50 m: 20s86. “Estou muito emocionado. Ver um recorde mundial ser quebrado aqui dentro… Nunca imaginei que a gente fosse ver isso na vida”, disse o treinador. “Era para ter acontecido ontem, mas ele teve outra oportunidade.”
Cielo chegou ao Pinheiros para treinar com Albertinho quando tinha apenas 15 anos. “O mais importante disso é que eu pude fazer parte do processo e a confiança que ele deposita no trabalho”, disse o treinador. “Ele ficou uma pessoa mais madura, um atleta mais consciente e são detalhes muito pequenos que separam a vitória da derrota.”
Também na arquibancada, Flávia Cielo, mãe do recordista, ficou emocionada, mas não tinha dúvida de que o filho sairia da piscina como recordista mundial. “Eu mentalizo. Quando estava em Pequim, o vi no pódio. Tinha o lugar dele lá”, lembrou Flávia. “Hoje, eu vi 20s91 no placar. É a idade do meu sobrinho e o ano de nascimento da Fernanda, minha filha”, prosseguiu. “Não tem diferença nenhuma o recorde ser aqui ou fora, cada conquista dele é muito importante para nós.”
Flávia contou que o filho estava “chato” ontem, porque não fez o recorde. “Eu disse: ‘Ah, menino. Você tem 22 anos. Vai descansar, não fica com essa cara de quem comeu e não gostou.’ Ele acordou zerado, mas às 3h30. E queria que eu acordasse também”, disse Flávia.
Sorry, Fred
Brett Hawke, o técnico australiano que orienta o treinamento do brasileiro na Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, também estava na piscina do Pinheiros. Hawke, também treinador de Fred Bousquet, ex-recordista mundial dos 50 m, brincou: “Liguei para o Fred e disse: ‘Sinto muito (I´m sorry), você não é mais recordista mundial. Ele deve estar chorando agora’. Falando sério, os dois se respeitam muito.”
Hawke contou que Cielo costuma nadar as provas de 50 m com maiô azul e as de 100 m com maiô cinza. “Hoje, ele quis trocar. Deu sorte.” A diferença entre a marca de ontem e o recorde mundial de hoje? “Ele sabia que podia conseguir. Ele tem sorte de ter dois bons treinadores”, finalizou Hawke.
Cielo recebeu a medalha das mãos do medalhista olímpico Gustavo Borges, com quem chegou a treinar no Pinheiros. “Ontem (quinta) foi uma mistura de frustração por não ter conseguido o recorde com um gostinho de quero mais”, disse Gustavo. “A manhã não é o horário ideal para se buscar um recorde, garanto que ele nem dormiu. Mas o tempo mostra como será a sequência do ciclo olímpico, reafirma sua condição de melhor do mundo nos 50 e 100 m.”
Patamar único
Para Cielo, bater recorde mundial não depende de estar no Brasil ou no exterior. “Mas inconscientemente o fato de estar em casa, de a galera me cumprimentar, desejar boa sorte, ajuda. Me preparei para isso. Fui para o Canadá para carregar a tocha olímpica, tive de fazer uma semana de treinamento sozinho, nem sempre em horários adequados, mas me dediquei”, contou o recordista. “Ontem, já tinha cumprido o objetivo da temporada, que era nadar o meu melhor tempo nos 50 livre. Agora, com esse recorde, fecho uma temporada especial, a mais importante da minha vida. Uma temporada com a qual muitos velocistas sonham: campeão mundial dos 50 m e dos 100 m, recordista mundial dos 50 m e dos 100 m. Acho que cheguei a um patamar único”, disse Cielo.
“Como não competi fora, só tinha os tempos dos treinos. Confiei muito no treinamento, na minha dedicação. Era a última chance de nadar com o maiô, ou eu ia ou ficava sem o recorde”, lembrou Cielo. “Só começamos a sentir que dava agora no final. No começo, não estava muito bem. Competi pouco, saí da Copa do Mundo, nadei o Paulista, em Santos e uma competição no Pinheiros, mas não foi a temporada ideal em termos de treinos e competição.”
Cesar Cielo é campeão olímpico e mundial dos 50 m livre (Pequim/2008 e Roma/2009), recordista mundial dos 50 mlivre, medalhista de bronze olímpico nos 100 m livre (Pequim/2008), campeão e recordista mundial dos 100 m livre, com 46s91 (Roma/2009). Em 2010, ano sem Mundial, Pan-Americano ou Olimpíada, o objetivo principal do nadador é competir bem no Pan-Pacífico de Los Angeles, em agosto. Cielo segue para Auburn, no Alabama (EUA), em janeiro, para dar prosseguimento ao seu trabalho com Brett Hawke.
Rodolfo Nakamura
Com informações da Assessoria de Imprensa
de César Cielo
Cesar Cielo faz história como campeão olímpico e mundial dos 50 m livre
O brasileiro venceu a prova mais rápida da natação, em Roma, com 21s08. Com vitória também nos 100 m livre, torna-se o principal velocista da atualidade.
São Paulo – O brasileiro Cesar Cielo fez história ao vencer os 50 metros e os 100 metros livre, as duas provas mais rápidas da natação, no 13º Mundial de Desportos Aquáticos, no Foro Itálico, em Roma. Também igualou o mítico Alexander Popov, campeão olímpico e mundial dos 50 m livre em sequência, tornando-se o principal velocista da atualidade.
Cielo ganhou os 50 m livre, neste sábado, com 21s08, seu melhor tempo na distância, recordes do campeonato e sul-americano. O brasileiro também havia vencido os 100 m livre, com novo recorde mundial (46s91), na quinta-feira. De novo, Cesar Cielo ficou na frente de dois franceses no pódio de Roma, como nos 100 m. Frederick Bousquet (21s21), atual recordista mundial, levou a prata, e Amaury Leveaux (21s25), o bronze. Nos 100 m livre, dividiu o pódio com Alain Bernard, prata, e Bousquet, bronze.
O russo Popov era o único a conquistar em sequência os títulos olímpico e mundial na prova mais rápida da natação, na Olimpíada de Barcelona/1992 e no Mundial de Roma/1994. Agora Cielo, que já havia ganho a primeira medalha de ouro da natação brasileira nos Jogos de Pequim/2008, repete a façanha ao vencer os 50 m livre no Mundial de Roma/2009. Popov também fez dobradinha nos 50 m e 100 m nos Mundiais de Roma/1994 e Barcelona/2003, assim como Anthony Earvin, em Fukuoka/2001. Agora, Cielo também tem dobradinha nas duas provas.
Ao ser informado sobre o feito, o brasileiro disse que ainda não tinha se dado conta que igualara um dos grandes nadadores da história, como Popov. “Sabe que só agora eu pensei nisso. Consegui fazer uma dobradinha que não imaginei que fosse conseguir, não. Mas essa dobradinha é o sonho de todo velocista (vencer os 50 m e os 100 m livre no Mundial). Estou muito, muito feliz. Agora é celebrar”, disse Cielo, que ainda pode integrar o revezamento 4×100 m medley do Brasil neste domingo, último dia de disputas do Mundial.
Cielo mandou nos 50 m livre, neste sábado, no Foro Itálico de Roma. De maiô azul, antes da largada bateu no peito, fez o sinal da cruz e apontou para o céu, gestos que repetiu algumas vezes. Subiu no bloco para a saída mais rápida dentre os oito finalistas (0,68 como tempo de reação), não respirou em todo o percurso e tinha vantagem visível sobre os adversários bem antes de bater na parede. “Esperava nadar mais rápido nesta final, mas foi muito bom ganhar. Eu fiz uma programação para vencer. É muito treino, é até perigoso estar tão confiante assim, mas graças a Deus deu tudo certo. O 50 é pura cabeça e eu estava com a cabeça boa. Estava esperando tempo mais baixo, mas acho que os 100 m afetaram toda a série. Ficar com o maiô no doping, esperando a coisa acontecer, acabou machucando um pouco.”
Cielo não cursou as aulas de Comércio Exterior na Universidade de Auburn este ano, para se dedicar apenas aos treinos para o Mundial. Abriu mão de tudo nos últimos seis meses para ficar na pacata cidade do Alabama (EUA), treinando com o australiano Brett Hawke para o Mundial de Roma. O campeão olímpico e mundial disse que teve muita gente envolvida em suas conquistas e que vai querer comemorar com todo mundo que ajudou. “Essa vai ficar para a minha vida, minha história, 50 m e 100 m livre, campeão mundial, não estou acreditando até agora!”
Cielo ainda agradeceu os torcedores italianos que trataram o brasileiro com grande reverência, acompanhando o Hino Nacional e a cerimônia de premiação com palmas e de olho no choro de Cielo, como nos 100 m, que desta vez foi contido. Depois da premiação, Cielo foi até a beira da arquibancada para um beijo na mãe Flávia, que sempre acompanha a preparação do filho. “O torcedor italiano é muito bom. Estou na Itália, mas tenho a sensação de que estou em casa.”
Limite e Olimpíada
Cielo ainda precisará de tempo para pensar no fato de ter passado de coadjuvante para um dos melhores velocistas da história em alguns anos de carreira e como isso evoluirá até os Jogos de Londres, em 2012. “É espetacular. Quando a gente treina, espera o melhor, mas é a realização de um sonho, de um pensamento vago que às vezes a gente tem durante a temporada. É comemorar, porque sei que daqui para frente a coisa vai ficar mais apertada.” Apesar do que fez em Roma, Cielo, que tem apenas 22 anos, acha que ainda “pode conseguir mais”, como respondeu, quando questionado sobre seus limites. “Quero continuar buscando a perfeição. Apesar de estar aqui acho que ainda posso conseguir mais.” O grande objetivo de Cielo passa a ser a Olimpíada de Londres/2012, tendo antes o Pan-Americano do México, em 2011.
Rodolfo Nakamura
com informações de Marta Teixeira
Cesar Cielo entra para a história dos velocistas em Roma
O campeão olímpico, que fechou o Mundial nadando o revezamento 4×100 m medley, foi consagrado por duas medalhas de ouro e o recorde mundial nos 100 metros livre
São Paulo – O brasileiro Cesar Cielo, que chegou na Itália como campeão e medalhista olímpico, deixou Roma como o principal velocista do mundo. Fez história no Foro Itálico, no 13º Mundial de Desportos Aquáticos. Ganhou a medalha de ouro nos 100 m livre, com novo recorde mundial (46s91). Igualou o mítico russo Alexander Popov ao vencer, em sequência, os 50 m livre em Olimpíada e Mundial, com 21s08, novo recorde do campeonato e sul-americano. E ajudou os dois revezamentos do Brasil, o 4×100 m livre e o 4×100 m medley a ocuparem honrosos quarto lugares, com recordes sul-americanos.
“Estou muito feliz, vou celebrar. Ser campeão mundial dos 50 m e dos 100 m livre, mais o recorde mundial… Nem estou acreditando. Mas esse é o sonho de qualquer nadador”, resumiu Cielo sobre a campanha no Mundial de Roma.
Antes de retornar ao Brasil, Cielo descansa alguns dias com a família na Itália. A mãe de Cielo, Flávia, o pai Cesar e a irmã Fernanda ficaram emocionados com a torcida e o carinho dos italianos no Foro Itálico. “Já viu os italianos cantando o hino deles? Eles costumam bater palmas e fizeram a mesma coisa com o hino do Brasil. Deu para arrepiar”, contou Flávia. Os italianos vibraram com Cielo e aplaudiram muito o nadador.
O campeão olímpico e mundial precisa ´respirar´ um pouco antes de enfrentar a maratona de compromissos que o esperam no Brasil porque treinou sem trégua desde janeiro, morando em Auburn, no Alabama (EUA), onde foi trabalhar com o técnico australiano Brett Hawke.
Depois da Olimpíada de Pequim, no ano passado, Cielo ficou cerca de dois meses envolvido por uma série de compromissos. Tratou de reorganizar sua vida, deixando a agenda de mídia nas mãos de profissionais e a comercial com a mãe Flávia. E voltou a trabalhar. Ainda em São Paulo, retomou aos poucos a rotina de treinos com o técnico Alberto Silva, no Pinheiros, fazendo a base necessária para voltar aos EUA em janeiro de 2009. Desde então, só veio ao Brasil uma vez, em maio, para defender o Clube Pinheiros no Troféu Maria Lenk.
“Deu certo aquelas ´aulinhas básicas´ que teve comigo”, brincou Gustavo Borges, o melhor velocista que o Brasil já teve na natação, medalhista olímpico e mundial. Cielo chegou a treinar com Gustavo Borges, por quase dois anos, no Clube Pinheiros, em São Paulo. “Acho que o Cielo se firmou como um dos maiores velocistas de todos os tempos com os resultados extraordinários desse Mundial de Roma. Está de parabéns. E a carreira dele está apenas começando. Com certeza ele ainda fará muita coisa neste ciclo olímpico, até Londres, em 2012″, afirmou Gustavo.
O ex-nadador disse ainda que gostou de ver como Cielo, de 22 anos, soube sentir a competição. “Nos 100 m ele queria bater o campeão olímpico (o francês Alain Bernard) e entrou na prova com essa garra, se emocionou na proporção do feito que conseguiu. Nos 50 m nadou para defender o seu título de campeão olímpico e entrar para a história. Gostei demais da postura dele.”
Gustavo acha que Cielo não deixará de se sentir motivado agora, após os resultados excepcionais. “Ele gosta de vencer e sabe que para chegar até essas conquistas o preço a pagar é bem alto. Estou muito feliz com o que ele fez.”
No último dia do 13º Mundial de Desportos Aquáticos, neste domingo, Cielo foi bem rápido ao fechar o revezamento 4×100 m medley, com a parcial de 46s26 no estilo livre, ao lado dos companheiros Guilherme Guido (costas), Henrique Barbosa (peito) e Gabriel Mangabeira (borboleta). O Brasil ainda quebrou o recorde sul-americano da prova na final, com o tempo de 3min29s16, mas ficou em quarto lugar. Os Estados Unidos, com Michael Phelps no time, levaram o ouro com novo recorde mundial (3min27s28). A Alemanha ficou com a prata (3min28s58) e a Austrália com o bronze (3min28s64).
Nas eliminatórias da manhã, Cielo, cansado por causa das provas individuais que nadou no Foro Itálico, foi poupado. Nicolas Oliveira nadou o estilo livre e ajudou a classificar o revezamento para a final com o quinto tempo (3min30s25). A marca das eliminatórias, ainda reduzida na final, já era recorde sul-americano (o anterior, de 3min33s83, havia sido estabelecido em maio).
Cesar Cielo é o homem mais rápido do mundo
O campeão olímpico venceu a prova mais nobre da natação mundial, os 100 metros livre, com novo recorde mundial: 46s91
São Paulo – O brasileiro Cesar Cielo fez história nesta quinta-feira, no 13º Mundial de Desportos Aquáticos, no Foro Itálico, em Roma (ITA). Cielo levou a medalha de ouro na prova mais nobre da natação, os 100 metros livre, com novo recorde mundial para a distância: 46s91 (também novas marcas sul-americana e brasileira). O mais rápido na distância era o australiano Eamon Sullivan, com 47s05, tempo das semifinais da Olimpíada de Pequim, de agosto de 2008. Em Roma, Cielo ainda bateu os seus dois principais rivais, os franceses Alain Bernard, prata com 47s12, e Frederick Bousquet, bronze com 47s25.
“Foi sensacional. Em dois anos da minha carreira, dei um salto de alguém que estava buscando alguma coisa para entrar para a história da natação brasileira. É a prova mais tradicional da natação mundial. Eu cresci vendo o Gustavo Borges (também medalhista olímpico) nadar essa prova. E agora trouxe esse ouro para o Brasil”, disse Cielo.
“Está doendo muito agora. Estou com dores fortes no corpo, mas tinha decidido que ia ser uma prova em que eu iria sentir mesmo muita dor, a mais dolorida da minha vida. Minhas pernas estão muito, muito pesadas”, completou, sobre o esforço.
Ainda falou dos tapas que deu em si mesmo antes da prova para acordar o corpo e vencer a pressão. “Ali, é você sozinho, mano a mano, sem ninguém para ajudar. Muita pressão.” Agradeceu o Clube Pinheiros, os seus patrocinadores Arena e Correios, e o apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).
Na cerimônia de entrega de medalhas, Cielo cantou o início do Hino Nacional, mas não resistiu à emoção e terminou chorando no pódio, como já havia feito na Olimpíada de Pequim. Deu flores para a mãe Flávia, agradeceu o pai Cesar e a irmã Fernanda que estavam na arquibancada e foi muito aplaudido, reverenciado pelo público que lotava o Foro Itálico.
O brasileiro é o primeiro homem a nadar abaixo dos 47 segundos, em cronometragem oficial e válida – a marca de 46s94, de Alain Bernard, feita em abril, não foi homologada porque o maiô usado não era aprovado pela Fina. Cielo admitiu que havia colocado como objetivo a marca de 46s89 para a prova num dos papéis que costuma escrever e pregar nas paredes de seu quarto para o tempo desejado para a distância no Mundial.
A única medalha de ouro da natação brasileira em Mundiais tinha sido conquistada há 27 anos por Ricardo Prado, nos 400 m medley, em Guayaquil/1982. Com o ouro de Cielo nos 100 m livre, a prata de Felipe França nos 50 m peito e o bronze de Poliana Okimoto na maratona aquática o Brasil soma agora sete medalhas em Mundiais.
Cielo já havia entrado para a história da natação brasileira ao ser o primeiro campeão olímpico, nos 50 m livre, há um ano, no dia 16 de agosto de 2008, em Pequim. Também tinha levado o bronze olímpico nos 100 m livre, prova vencida por Alain Bernard na Olimpíada. Fred Bousquet é o atual detentor do recorde mundial dos 50 m livre.
O melhor tempo de reação da prova
Em Roma, Cielo fez uma prova excepcional. Teve um tempo de reação incrível (0,66) na largada, o melhor dentre todos os competidores, ao lado do também brasileiro Nicolas Oliveira, virou nos 50 m com 22s17, atrás apenas de Fred Bousquet e foi buscar a medalha no final. Ao bater na borda olhou o relógio e comemorou de braços erguidos procurando os brasileiros nas arquibancadas. Ainda na piscina abraçou o francês Bernard e já fora dela foi cumprimentado por Bousquet, que foi seu companheiro de treinos neste semestre em Auburn (EUA). Enquando falava com jornalistas parou para abraçar o seu técnico australiano Brett Hawke.
Nas semifinais dos 100 m livre, Cesar Cielo fez o segundo melhor tempo na classificação, com 47s48. Nas eliminatórias, foram disputadas 22 séries dos 100 m livre e Cielo fez o oitavo melhor tempo, com 47s98. O brasileiro já havia quebrado o recorde sul-americano da distância no Mundial de Roma duas vezes, no primeiro dia de disputas, quando abriu o revezamento 4×100 m livre, nas eliminatórias, com 47s39, e na final, com 47s09. A marca anterior era de 47s60, feita no Troféu Maria Lenk, em maio.
Cesar Cielo volta à piscina do Foro Itálico nesta sexta-feira, às às 4 horas (horário de Brasília), para as eliminatórias dos 50 m livre. As semifinais da prova estão programadas para o mesmo dia, a partir das 13 horas. Ainda disputa o 4×100 m medley, com a equipe do Brasil, no domingo, último dia do Mundial.
Evolução do recorde dos 100 m livre
49s99 – James Montgomery (EUA) – 25/7/76, Montreal (CAN)
49s44 – Jonty Skinner (AFS) – 14/8/76, Philadelfia (EUA)
49s36 – Ambrose Gaines (EUA) – 3/4/81,Austin (EUA)
49s24 – Matt Biondi (EUA) – 6/8/85, Mission Viejo (EUA)
48s95 – Matt Biondi (EUA) – 6/8/85, Mission Viejo (EUA)
48s74 – Matt Biondi (EUA) – 23/6/86, Orlando (EUA)
48s42 – Matt Biondi (EUA) – 10/8/88, Austin (EUA)
48s21 – Alexander Popov (RUS) – 18/6/94, Mônaco (FRA)
48s18 – Michael Klim (AUS) – 16/9/00,Sydney (AUS)
47s84 – Pieter van den Hoogenband (HOL),19/9/00-Sydney (AUS)
47s60 – Alain Bernard (FRA) – 21/3/08, Eindhoven (HOL)
47s50 – Alain Bernard (FRA) – 22/3/08, Eindhoven (HOL)
47s24 – Eamon Sullivan (AUS) – 11/8/2008, Pequim (CHI)
47s20 – Alain Bernard (FRA) – 13/8/2008, Pequim (CHI)
47s05 – Eamon Sullivan (AUS) – 13/8/2008, Pequim (CHI)
<b>46s91 – Cesar Cielo (BRA) – 30/07/2009, Roma (ITA)</b>
(A marca de 46s94, feita por Alain Bernard, em 23/4/2009, não foi homologada porque o maiô usado não tinha aprovação da Fina)
Medalhas do Brasil em Mundiais
Ouro
Guayaquil/1982 – Ricardo Prado, 400 m medley
Roma/2009 – Cesar Cielo, 100 m livre
Prata
Roma/2009 – Felipe França, 50 m peito
Bronze
Berlim/1978 – Romulo Arantes (100 m costas)
Roma/1994 – Gustavo Borges (100 m livre)
Roma/1994 – Gustavo Borges, Revezamento 4×100 m livre
Roma/2009 – Poliana Okimoto (maratona aquática 5 km)
Rodolfo Nakamura
Com informações da Assessoria de Imprensa
de César Cielo
Deixe um comentário


