Cesar Cielo faz história como campeão olímpico e mundial dos 50 m livre

O brasileiro venceu a prova mais rápida da natação, em Roma, com 21s08. Com vitória também nos 100 m livre, torna-se o principal velocista da atualidade.

São Paulo – O brasileiro Cesar Cielo fez história ao vencer os 50 metros e os 100 metros livre, as duas provas mais rápidas da natação, no 13º Mundial de Desportos Aquáticos, no Foro Itálico, em Roma. Também igualou o mítico Alexander Popov, campeão olímpico e mundial dos 50 m livre em sequência, tornando-se o principal velocista da atualidade.

Cesar Cielo

Cesar Cielo entra para a história da natação mundial

Cielo ganhou os 50 m livre, neste sábado, com 21s08, seu melhor tempo na distância, recordes do campeonato e sul-americano. O brasileiro também havia vencido os 100 m livre, com novo recorde mundial (46s91), na quinta-feira. De novo, Cesar Cielo ficou na frente de dois franceses no pódio de Roma, como nos 100 m. Frederick Bousquet (21s21), atual recordista mundial, levou a prata, e Amaury Leveaux (21s25), o bronze. Nos 100 m livre, dividiu o pódio com Alain Bernard, prata, e Bousquet, bronze.

O russo Popov era o único a conquistar em sequência os títulos olímpico e mundial na prova mais rápida da natação, na Olimpíada de Barcelona/1992 e no Mundial de Roma/1994. Agora Cielo, que já havia ganho a primeira medalha de ouro da natação brasileira nos Jogos de Pequim/2008, repete a façanha ao vencer os 50 m livre no Mundial de Roma/2009. Popov também fez dobradinha nos 50 m e 100 m nos Mundiais de Roma/1994 e Barcelona/2003, assim como Anthony Earvin, em Fukuoka/2001. Agora, Cielo também tem dobradinha nas duas provas.

Ao ser informado sobre o feito, o brasileiro disse que ainda não tinha se dado conta que igualara um dos grandes nadadores da história, como Popov. “Sabe que só agora eu pensei nisso. Consegui fazer uma dobradinha que não imaginei que fosse conseguir, não. Mas essa dobradinha é o sonho de todo velocista (vencer os 50 m e os 100 m livre no Mundial). Estou muito, muito feliz. Agora é celebrar”, disse Cielo, que ainda pode integrar o revezamento 4×100 m medley do Brasil neste domingo, último dia de disputas do Mundial.

Cielo mandou nos 50 m livre, neste sábado, no Foro Itálico de Roma. De maiô azul, antes da largada bateu no peito, fez o sinal da cruz e apontou para o céu, gestos que repetiu algumas vezes. Subiu no bloco para a saída mais rápida dentre os oito finalistas (0,68 como tempo de reação), não respirou em todo o percurso e tinha vantagem visível sobre os adversários bem antes de bater na parede. “Esperava nadar mais rápido nesta final, mas foi muito bom ganhar. Eu fiz uma programação para vencer. É muito treino, é até perigoso estar tão confiante assim, mas graças a Deus deu tudo certo. O 50 é pura cabeça e eu estava com a cabeça boa. Estava esperando tempo mais baixo, mas acho que os 100 m afetaram toda a série. Ficar com o maiô no doping, esperando a coisa acontecer, acabou machucando um pouco.”

Cielo não cursou as aulas de Comércio Exterior na Universidade de Auburn este ano, para se dedicar apenas aos treinos para o Mundial. Abriu mão de tudo nos últimos seis meses para ficar na pacata cidade do Alabama (EUA), treinando com o australiano Brett Hawke para o Mundial de Roma. O campeão olímpico e mundial disse que teve muita gente envolvida em suas conquistas e que vai querer comemorar com todo mundo que ajudou. “Essa vai ficar para a minha vida, minha história, 50 m e 100 m livre, campeão mundial, não estou acreditando até agora!”

Cielo ainda agradeceu os torcedores italianos que trataram o brasileiro com grande reverência, acompanhando o Hino Nacional e a cerimônia de premiação com palmas e de olho no choro de Cielo, como nos 100 m, que desta vez foi contido. Depois da premiação, Cielo foi até a beira da arquibancada para um beijo na mãe Flávia, que sempre acompanha a preparação do filho. “O torcedor italiano é muito bom. Estou na Itália, mas tenho a sensação de que estou em casa.”

Limite e Olimpíada

Cielo ainda precisará de tempo para pensar no fato de ter passado de coadjuvante para um dos melhores velocistas da história em alguns anos de carreira e como isso evoluirá até os Jogos de Londres, em 2012. “É espetacular. Quando a gente treina, espera o melhor, mas é a realização de um sonho, de um pensamento vago que às vezes a gente tem durante a temporada. É comemorar, porque sei que daqui para frente a coisa vai ficar mais apertada.” Apesar do que fez em Roma, Cielo, que tem apenas 22 anos, acha que ainda “pode conseguir mais”, como respondeu, quando questionado sobre seus limites. “Quero continuar buscando a perfeição. Apesar de estar aqui acho que ainda posso conseguir mais.” O grande objetivo de Cielo passa a ser a Olimpíada de Londres/2012, tendo antes o Pan-Americano do México, em 2011.

Rodolfo Nakamura
com informações de Marta Teixeira

Anúncios

No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: